Cronenberg: homenageado pelo festival
O Centro de Congressos do Estoril esteve à pinha para receber David Cronenberg. Entre as acelerações na Ducatti de «Italian Machine» e a parafília automobilística de «Crash», o realizador canadiano cuja obra está em retrospectiva no Estoril Film Festival foi homenageado com um prémio de carreira e conversou com o público sobre o seu cinema.
Cronenberg falou do cinema em geral, mas contou também muitas histórias dos seus filmes em particular. As pessoas que encheram a sala do Estoril sorveram até à última palavra um dos momentos únicos deste festival, em que o canadiano vincou o realismo com que trabalha numa conversa ainda tão mais interessante quando adornada com um sentido de humor que - dá bem para perceber - é parte essencial desta personalidade.
«O cinema não é a minha vida, é parte da minha vida. Eu não desapareceria se não tivesse o cinema», afirmou Cronenberg recusando fazer filmes para enviar mensagens ou marcar posições: «Faço um filme sem saber tudo, no explorar da condição humana. Todos os meus filmes são muito pessoais. É um pouco como o sexo e estar a misturar o ADN com alguém.»
Numa plateia cheia de jovens e estudantes de cinema ávidos de iluminações - a quem provoca dizendo «Esqueçam os filmes, não há espaço para vocês e eu!» - Cronenberg voltou a frisar que se «deve estar no cinema pelas razões certas» criticando a «cultura de celebridades». E, à parte o humor, mostra-se optimista em relação aos desafios.
«A tecnologia é que mudou, como o acesso aos filmes. Mas fazer os filmes não mudou: contar uma história, trabalhar com os actores, operar uma câmara, tratar da condição humana; isso não mudou», disse o realizador lembrando que a televisão ter começado a exibir filmes também aconteceu e isso foi apenas uma «continuidade». Por isso, «não há que ter medo».
«Nikolai» vai para a Rússia
«Não creio que importe como se crie o corpo humano, se com uma fotografia se digitalmente. E não me importo se o «Avatar» [de James Cameron] vai ser com pessoas ou feito digitalmente. O digital dá muito trabalho e eu importo-me porque sou muito preguiçoso», disse o realizador para quem o casting «é uma arte negra, é um processo maléfico».
Este processo, Cronenberg só gosta de tê-lo depois de escrito o argumento: «Não gosto de escrever em função do actor. Gosto que a personagem se desenvolva e só depois de se formar então escolho o actor.» Esta foi a deixa para mais um lamento humorado de quem está farto de receber listas de agentes com nomes propostos ou mesmo de recados dos actores pelos seus representantes: «Mas até acaba por ser bom: antes, ninguém queria entrar nos meus filmes...»
Entre as histórias sobre quão difícil foi trabalhar com Jeremy Irons - «É inglês...», gracejou -, das recusas antes de Jeff Goldblum em arriscar fazer «A Mosca» por causa de representar com toda a caracterização de plástico ou de que «ninguém ganhou dinheiro com Spider», pois foi a solução para cumprir o orçamento, Cronenberg deixou grandes elogios a Vigo Mortensen como a escolha «perfeita» para ser russo em Inglaterra.
«Nem todos conseguem falar inglês com outro sotaque, é preciso um ouvido muito musical. Ele fala uma série de língua, e também é compositor», disse do actor não por acaso, pois o realizador está para fazer algo inédito. «Steven [Knight] está a trabalhar numa sequela de Promessas Perigosas. É o primeiro filme de que quero fazer uma sequela», confirmou Cronenberg reforçando: «Não desisti de Nikolai. Quero levá-lo para a Rússia.»
Fonte: IOL
Cronenberg falou do cinema em geral, mas contou também muitas histórias dos seus filmes em particular. As pessoas que encheram a sala do Estoril sorveram até à última palavra um dos momentos únicos deste festival, em que o canadiano vincou o realismo com que trabalha numa conversa ainda tão mais interessante quando adornada com um sentido de humor que - dá bem para perceber - é parte essencial desta personalidade.
«O cinema não é a minha vida, é parte da minha vida. Eu não desapareceria se não tivesse o cinema», afirmou Cronenberg recusando fazer filmes para enviar mensagens ou marcar posições: «Faço um filme sem saber tudo, no explorar da condição humana. Todos os meus filmes são muito pessoais. É um pouco como o sexo e estar a misturar o ADN com alguém.»
Numa plateia cheia de jovens e estudantes de cinema ávidos de iluminações - a quem provoca dizendo «Esqueçam os filmes, não há espaço para vocês e eu!» - Cronenberg voltou a frisar que se «deve estar no cinema pelas razões certas» criticando a «cultura de celebridades». E, à parte o humor, mostra-se optimista em relação aos desafios.
«A tecnologia é que mudou, como o acesso aos filmes. Mas fazer os filmes não mudou: contar uma história, trabalhar com os actores, operar uma câmara, tratar da condição humana; isso não mudou», disse o realizador lembrando que a televisão ter começado a exibir filmes também aconteceu e isso foi apenas uma «continuidade». Por isso, «não há que ter medo».
«Nikolai» vai para a Rússia
«Não creio que importe como se crie o corpo humano, se com uma fotografia se digitalmente. E não me importo se o «Avatar» [de James Cameron] vai ser com pessoas ou feito digitalmente. O digital dá muito trabalho e eu importo-me porque sou muito preguiçoso», disse o realizador para quem o casting «é uma arte negra, é um processo maléfico».
Este processo, Cronenberg só gosta de tê-lo depois de escrito o argumento: «Não gosto de escrever em função do actor. Gosto que a personagem se desenvolva e só depois de se formar então escolho o actor.» Esta foi a deixa para mais um lamento humorado de quem está farto de receber listas de agentes com nomes propostos ou mesmo de recados dos actores pelos seus representantes: «Mas até acaba por ser bom: antes, ninguém queria entrar nos meus filmes...»
Entre as histórias sobre quão difícil foi trabalhar com Jeremy Irons - «É inglês...», gracejou -, das recusas antes de Jeff Goldblum em arriscar fazer «A Mosca» por causa de representar com toda a caracterização de plástico ou de que «ninguém ganhou dinheiro com Spider», pois foi a solução para cumprir o orçamento, Cronenberg deixou grandes elogios a Vigo Mortensen como a escolha «perfeita» para ser russo em Inglaterra.
«Nem todos conseguem falar inglês com outro sotaque, é preciso um ouvido muito musical. Ele fala uma série de língua, e também é compositor», disse do actor não por acaso, pois o realizador está para fazer algo inédito. «Steven [Knight] está a trabalhar numa sequela de Promessas Perigosas. É o primeiro filme de que quero fazer uma sequela», confirmou Cronenberg reforçando: «Não desisti de Nikolai. Quero levá-lo para a Rússia.»
Fonte: IOL
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