Segunda vitória faz respirar Portugal


José Moreira é camionista na Islândia há vinte anos e trouxe o seu camião desde Akureyri até Reiquejavique, desceu 500 quilómetros até à capital e ocupou o seu lugar na central. Com 47 anos, este sportinguista é mais um fiel à causa de Paulo Bento e, mais do que o hino, que o emocionou quando o entoou no estádio – em pé e a plenos pulmões -, não quis perder a oportunidade de ver Portugal a vencer a selecção do país que escolheu para viver e dar um passo importante rumo ao Euro 2012. Ele e muitos portugueses respiraram de alívio quando o jogo terminou – principalmente Paulo Bento, que fez o trabalho de Mourinho na perfeição, ganhando os dois encontros com a mesma receita (e os mesmos jogadores) em ambas partidas.

Era das alturas que vinha a grande ameaça da Islândia. Todos estavam avisados. Os islandeses parecem filhos da montanha de 914 metros que abraça a capital, muito popular, principalmente no Inverno quando está vestida de branco. O monte Esja parece transmitir uma calma estranha a esta selecção medíocre que teima em bater o pé às equipas mais bem cotadas no ranking – perdeu pela margem mínima frente à líder do grupo, a Noruega (1-2).

Má a defender, a Islândia causa perigo a atacar (em cantos e livres à entrada da área de Portugal) quando utiliza a sua forte estatura. Mas os avisos serviram de pouco aos portugueses, que entraram em campo precisamente com a mesma equipa e disposição com que enfrentaram e ganharam à Dinamarca, no Dragão. O golo islandês deixou dúvidas, mas não o momento de Eduardo: sofreu golos nos quatro jogos disputados até aqui (sete golos).

Um empate seria tão grave como uma derrota e ambos os seleccionadores o sabiam. Olafur Johannesson chegou mesmo a dizer que um empate seria “muito, muito bom”. Bento não o disse, mas sabia que para ele seria muito, muito mau. Mas o empate só durou 13 minutos (Portugal marcou aos 3 minutos e demorou dez a responder ao golo de Helguson).

Bento não inventou, mas Johannesson teve de inventar. O português disse que o seu trabalho era no plano mais teórico para esta dupla jornada. O islandês ficou sem sete jogadores porque a federação decidiu desviá-los para os sub-21, para o decisivo encontro de qualificação para o Europeu que a Islândia alcançou pela primeira vez na história. Assim, o técnico chamou um dos veteranos: Eidur Gudjohnsen. Há muito afastado da selecção, foi titular. Mas o avançado está longe de forma e dos tempos que o tornaram o atleta mais conhecido do país – tão famoso que um dia Mourinho deu o nome de Gudjohnsen ao vulcão com o nome mais impronunciável do mundo, mas o jogador está tão apagado quanto o Eyjafjallajokull.

Com as armas apresentadas, Portugal entrou no jogo a ganhar. Pela mas temível de todas. Johannesson tinha dito que a única maneira de travar Cristiano Ronaldo era não o deixar entrar no país e tinha razão – o seu livre foi um míssil que nem as mãos frias de Gunnleifsson conseguiriam parar. Ainda mal refeito, o guarda-redes veria Meireles, com uma bomba de meia distância, fazer o mesmo aos 27’.

E se nestas duas ocasiões pouco poderia fazer, no terceiro golo deu uma ajuda preciosa. Já com Postiga em campo – Hugo Almeida foi lutador mas voltou a falhar na zona decisiva, quando ficou isolado aos 19 minutos – o último golo do jogo foi o lance mais fácil para o sportinguista, que no minuto anterior havia falhado também no frente a frente com o guarda-redes. Foi precisamente Postiga a fechar a noite (antes, Meireles tinha atirado à trave num lance delicioso) e a fazer descansar o coração de José Moreira, que só largou a máquina fotográfica quando o último jogador português desapareceu no túnel de acesso aos balneários.




Fonte: Publico

POSTED BY Joana Vieira
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