Entrevista #16- com Juliana Pontual
Juliana Pontual
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Juliana Pontual é uma designer e ilustradora que
espalha a sua arte pelo Brasil. Conheça um pouco sobre
a sua vida e projectos artísticos.
Juliana Pontual - Acho que surgiu quando eu era pequena. Realmente preferia quando os livrinhos eram ilustrados, tanto que, dependendo dos desenhos e do que eles evocavam, eu tinha vontade de lê-los ou não. Nessa época pintava retratos imaginários e quadros pra vender pras minhas tias (só elas iriam comprar mesmo!!), mas depois de um tempo parei de desenhar e só voltei bem mais tarde, já no final da adolescência.
W - Como conseguiu entrar no mundo profissional de ilustração?
JP - Foi meio sem querer, trabalhava como diretora de arte em agências de propaganda e muitas vezes a ilustração é um recurso para clientes com pouca verba para produção. É estranha essa pergunta porque ainda não me sinto totalmente inserida nesse mundo de ilustração profissional. Meu ganha-pão vem muito mais do trabalho como diretora de arte e designer do que como ilustradora. A ilustração ainda é como um "plus", quando faço encartes de álbuns, editoriais, etc.
W - Quais foram os principais obstáculo e metas atingidas?
JP - Como foi tudo meio sem querer, não posso dizer que houveram muitos obstáculos. E sobre as metas, eu ainda tenho muito o que atingir, mas diria que a maior seria conseguir viver somente de ilustração.
W - Quem são as suas principais influências nesta área?
JP - Gosto muito de quadrinhos underground em geral, tantos dos anos 60/70 (quando o género meio que surgiu) quanto os atuais. Também gosto muito de traços meio lúdicos, meio “estranhos”, como o de Tim Burton, Jim Flora, Yoshitomo Nara, etc.
W - A ilustração é uma arte que exige uma enorme capacidade criativa. O que mais a inspira?
JP - Acho que música e meus gatos.
W - Qual foi o seu maior projecto até hoje?
JP - Nunca tive grandes projetos, mas os maiores talvez tenham sido os álbuns de 2 grandes artistas e amigas minhas, a Lulina e a Stela Campos, pois ambos envolveram a criação de universos com personagens ilustrados para cada música.
W - As junções da ilustração com o design que podemos ver em alguns dos seus projectos são feitas por gosto ou por trabalho?
JP - Por ambos.
W - É capaz de nos descrever o todo o processo que uma ilustração sua envolve?
JP - Bom, nem sempre existe um processo lógico. Às vezes a ideia vem antes, às vezes é o traço que puxa a forma e com isso a ideia. Depende muito do tipo do trabalho.
W - Existem projectos para o futuro que queira partilhar connosco?
JP - Apesar de ser uma ideia em processo completamente embrionário, pretendo um dia tentar trabalhar com animação.
W - Para finalizar, alguma mensagem que queiras deixar aos leitores, ilustradores, revistas…?
JP - O mais importante é se divertir. Até o estresse vale a pena quando por trás tem diversão.
Blenders Design Lab em Lisboa
Fruto da colaboração entre as arquitectas Marta Carreira e Joana Borges Carvalho e o antiquário Eduardo Carvalho da Silva, o BLENDERS Design Lab (localizado no n.º 40 da Rua do Ferragial, em Lisboa) é um espaço que procura "recombinar o revivalismo com o futurismo" e funcionar como "tubo de ensaio onde o trabalho experimental pretende dar origem a resultados diferentes, espontâneos, casuais ou propo- sitados", segundo os organizadores do projecto, que foi inaugurado no dia 5, sexta-feira.
Marta Carreira, que é formada em Arquitectura, mas trabalha principalmente em design e decoração de interiores, afirmou que o Blenders surgiu por iniciativa do antiquário Eduardo Carvalho da Silva, que procurava dar nova vida ao espólio da sua loja de antiguidades. Porém, e já com a colaboração de Joana Borges de Carvalho, o projecto extravasou as expectativas iniciais.
"O conceito foi afinado e expandido com a Joana", declarou Marta Carreira, que espera, com este projecto, "estabelecer a marca Blenders e coordenar iniciativas com artistas consagrados e marcas já estabelecidas".
A recontextualização é a palavra-chave deste laboratório de design, que aposta na concepção total do espaço, assente na criação de uma envolvência total e no diálogo entre o espaço físico, a decoração, a arte e a vertente mais utilitária do design.
A perspectiva unitária do espaço visa dar novos significados a peças aparentemente incompatíveis, que sofrerão, em muitos casos, tranformações e reinvenções estéticas para reaproveitar e "adaptar peças antigas à história actual, de acordo com a essência da sua riqueza estética e formal". De facto, o Blenders procura, de certa forma, "reciclar" e reaproveitar as peças em exibição, sem no entanto comprometer o seu valor estético e artístico original, desprendendo-se da conotação negativa normalmente associada à ideia de reciclagem.
Para além da recontextualização de objectos, a organização do Blenders procura, de futuro, expandir o âmbito deste laboratório a áreas como a pintura, a escultura e outras artes visuais, como as instalações de arte, integrando-as na vertente decorativa que originou o projecto.
Este atelier de design é um projecto pautado, nas palavras da organização, por um critério de exigência e sobriedade, que visa criar um ambiente de constante reinvenção estética.
Fonte: DN
JN recebe nove prémios de design
A sexta edição de O Melhor do Desenho Jornalístico Espanha e Portugal, organizado pela "Society for News Design", capítulo ibérico, distingiu o Jornal de Notícias por nove trabalhos, nas categorias Páginas Interiores, Fotografia e Suplementos.
"Farmácias vão poder definir margens de lucro", "Meta: 30 dadores por milhões de habitantes" e "Milhares de Crianças têm de corrigir a fala", realizados pela Direcção de Arte do Jornal de Notícias, arrecadaram, respectivamente, duas medalhas de prata e uma menção honrosa.
Na fotografia, os parabéns devem ser dados a Alfredo Leite, Adelino Meireles e José Mota. O galardão de prata coube a Alfredo Leite, pelo trabalho intitulado "Angola escondeu mortes do Papa". A "Situação de Pobreza" e "Mau tempo até ao fim-de-semana" foram atribuídas menções honrosas.
A categoria Suplementos de Periodicidade Regular permitiu ao JN coleccionar mais uma medalha de prata. "Quem quer matar Deus?" é o nome do trabalho distinguido. Outras duas menções honrosas foram entregues a "Que protecção de menores?" e "O futuro é tão brilhante que vamos ter...".
Numa avaliação a título geral, para as publicações melhores desenhadas, o júri daquele que é considerado um dos mais prestigiados prémios na área do design no jornalismo, que esteve reunido em Pamplona durante os primeiros dois dias de Outubro, destacou, com o primeiro prémio, os jornais Expresso e o "i", ambos portugueses. Um na categoria dos jornais com circulação superior a 60 mil exemplares e outro nos que se inscrevem entre os patamares 20 mil/ 60 mil. O Magazine de El Mundo ganhou na categoria revista e nas publicações online venceram as.com e lainformacion.com, de Espanha.
Já a melhor primeira página foi atribuída ao El Periódico, com o trabalho "Já não é um sonho", sobre a vitória de Barack Obama nas eleições norte-americanas. Lisboa receberá a cerimónia de entrega dos prémios no próximo dia 13 de Novembro.
Apresentaram-se a concurso cerca de 2300 trabalhos, pertencentes a 62 meios de comunicação - 43 meios tradicionais e 19 espaços online - o que representa um recorde face à participação registada em 2008.
Estes galardões foram criados com o propósito de promover a qualidade do jornalismo visual em Portugal e Espanha, de forma a poder reforçar-se um melhor diálogo entre texto, desenho, infografia, ilustração e fotografia. O objectivo é reconhecer as boas práticas em qualquer suporte ou tamanho, revela a organização.
Fonte: JN


