'Gatos' deixam 'A Bola'


Os humoristas Ricardo Araújo Pereira e José Diogo Quintela, membros do colectivo Gato Fedorento, vão deixar de escrever crónicas para o jornal desportivo “A Bola”. Miguel Sousa Tavares, que também escreve para o mesmo diário, está no epicentro desta decisão.

A notícia chegou hoje em forma de editorial, em Bola, assinado pelo director Vitor Serpa.

“Ricardo Araújo Pereira e José Diogo Quintela terminam a sua colaboração com A Bola”. E explica que o jornal não está disponível para “prosseguir um cansativo e desinteressante (para os leitores de A Bola) contencioso particular com Miguel Sousa Tavares(…) até por haver mail, SMS e CTT para o efeito”. E que Ricardo Araújo Pereira decidiu ser solidário com Quintela. “É, assim, a vida. Cá pela nossa parte gostamos muito de os ter entre nós”, acrescenta Vitor Serpa.

Esta é a resposta de Vitor Serpa à acusação de censura por parte de José Diogo Quintela(sportinguista declarado) que, num artigo publicado no site de apoio sportuinguista sportingapoio.com, na passada segunda-feira, acusou o jornal de cortar a sua crónica de domingo passado, na parte onde eram feitas referências a Miguel Sousa Tavares, sem o avisar previamente.

“Pedi ao Nuno Mourão [criador do site Sportingapoio] para publicar aqui a parte da minha crónica que A Bola não publicou, cortando-a sem me consultar. Faço-o porque a parte que foi truncada era uma resposta a uma acusação de Miguel Sousa Tavares e eu quero que fique publicamente registada”.

Uma das frases cortadas, e que o humorista publicou no site era a seguinte: “Em Janeiro, [Miguel Sousa Tavares, portista declarado] pediu a Pinto da Costa [presidente do Futebol Clube do Porto]” que me processasse. Desta vez, vitimiza-se e ameaça abandonar a sua crónica n’A Bola, pretendendo que o Ricardo e eu sejamos responsabilizados pela sua saída. Depois das queixinhas, uma ameaça de amuo”.

Quintela respondia à crónica de Sousa Tavares do passado dia 2 em que este escreveu que deixaria de escrever para "A Bola" uma vez que estava “farto de viver [...] com dois rafeiros atiçados às canelas, dois censores encartados”. Os dois rafeiros seriam Diogo Quintela e Araújo Pereira (declarado benfiquista).

Em solidariedade com o seu amigo e colega dos Gato, Ricardo Araújo Pereira - que assina a crónica Chama Imensa - terá também dito que cortava a ligação com o jornal.

Miguel Sousa Tavares negou, porém, em declarações ao PÚBLICO que tenha tido alguma coisa a ver com a saída dos dois humoristas do diário desportivo. “não tenho nada a ver com isso nem falei do assunto particularmente com A Bola”, disse o escritor e jornalista.

Em declarações ao PÚBLICO José Diogo Quintela aprofunda as razões do confronto com Miguel Sousa Tavares: “Na sua crónica de 2 de Novembro, Miguel Sousa Tavares acusa-me, a mim e ao Ricardo Araújo Pereira, de só o costumarmos corrigir por ele ter sido o único convidado, tirando o Presidente da Republica, a não ter aceitado vir ao Gato Fedorento Esmiúça os Sufrágios. É falso, como entretanto foi facilmente demonstrado. E corrigido. Além disso, ameaça sair de A Bola por nossa causa. Não foi a primeira vez que me tentou intimidar”, refere o humorista.




Mais em: Público

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Portugal e a liberdade de imprensa


Casos como o do roubo dos gravadores de jornalistas da Sábado por um deputado e os processos judiciais contra o Sol terão levado a uma má classificação pelos RSF.

São dez lugares mais abaixo que no ano passado: Portugal caiu em 2010 para o 40.º lugar no ranking da liberdade de imprensa elaborado pela associação internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Esta é a pior classificação nacional desde que os RSF criaram a lista, em 2002. Portugal fica logo abaixo de Espanha (que subiu para 39.º) e acima de países como a Tanzânia (41), Coreia do Sul e Papua Nova Guiné (42) e França (44).

O relatório dos RSF não faz desta vez comentários sobre o estado da liberdade de imprensa em Portugal, mas na base de dados daquela associação há dois comunicados divulgados este ano em que se condenam o episódio do roubo, pelo deputado socialista Ricardo Rodrigues, de dois gravadores a jornalistas da Sábado durante uma entrevista, em Maio, e a condenação do jornal Sol em tribunal num dos processos colocados pelo ex-administrador da PT Rui Pedro Soares.

Estes dois episódios contribuíram para uma imagem mais cinzenta do exercício da liberdade de imprensa em Portugal, mas será necessário incluir também a polémica em torno da suspensão do Jornal Nacional de Sexta da TVI, em Setembro de 2009 - o questionário com base no qual o ranking foi elaborado refere-se ao período entre 1 de Setembro de 2009 e 31 de Agosto de 2010 -, e o clima de suspeição de controlo dos media pelo poder político, que justificou dezenas de audições no Parlamento (na Comissão de Ética e, depois, na comissão de inquérito ao negócio de compra da TVI).

O PÚBLICO questionou os RSF sobre as razões para a classificação de Portugal mas não obteve resposta até ao fecho desta edição. O Sindicato dos Jornalistas também não quis comentar o estudo por desconhecer a metodologia. O ranking resulta da análise de dezenas de critérios que incluem violência, prisão, homicídios, ameaças, censura e autocensura, buscas, apreensão de material e até a existência de monopólios.

Tal como em anos anteriores, os lugares cimeiros são ocupados por países do Norte da Europa: Finlândia, Islândia, Holanda, Noruega, Suécia, além da Suíça. Para o secretário-geral dos RSF, "é preocupante ver diversos países-membros da União Europeia caírem continuamente no ranking"; e a UE, "se não tiver cuidado, arrisca perder a sua posição como líder mundial no respeito pelos direitos humanos". Treze dos 27 Estados da UE estão no top 20, mas entre os outros 14 há países "afundados" na tabela: Itália aparece em 49.º, a Roménia em 52.º e Grécia e Bulgária empatam em 70.º.

Na outra ponta da lista estão a Eritreia (em último, 178.º) e a Coreia do Norte (177.º), mas também o Ruanda, Irão, Iémen, Sudão e Síria. Melhor está Cuba, que pela primeira vez saiu da lista dos dez piores países.




Fonte: Público

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Star FM é a nova rádio da Media Capital


A mais recente estação da Media Capital Radio chama-se Star FM, é generalista, tem como director Miguel Cruz e vai substituir o já extinto RCP. Segundo a deliberação da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), emite música dos anos 50, 60 e 70.

De acordo com a deliberação da ERC - a autoridade que aprovou no início de Setembro o arranque da actividade da Star FM -, documento com data de 31 de Agosto, a estação apresenta-se como um projecto “de informação e de companhia”, da região de Lisboa, com uma componente musical composta por “êxitos dos anos 50, 60 e 70", nomeadamente "da música brasileira, da música portuguesa" e também dos "clássicos franceses e italianos”.

A rádio inscreve-se assim num conceito "revivalista", tal como a M80, uma outra rádio do grupo.

A aposta será dirigida por Miguel Cruz, que também já dirige a M80, Romântica FM e um recente projecto do mesmo grupo chamado Vodafone FM. A nova estação vai começar a emitir nas frequências do antigo Rádio Clube Português.

Contactado pelo PÚBLICO, o responsável escusou-se a prestar quaisquer declarações.

O sector informativo da nova estação está à responsabilidade do jornalista Nuno Castilho de Matos. A rádio apresenta dez blocos informativos de segunda a sexta-feira, “três dos quais dirigidos à localidade para o qual o operador está licenciado". "Aos sábados e domingos são identificados apenas três blocos informativos", informa a ainda o mesmo documento disponibilizado pela ERC.

O antigo Rádio Clube Português, pertencente ao grupo Media Capital, descontinuou as suas emissões a 11 de Julho e a empresa justificou o encerramento alegando motivos económicos, dizendo tratar-se de um projecto "economicamente inviável".

Há cerca de um ano, a empresa obteve junto da ERC a limitação do serviço à região de Lisboa, com o intuito de reduzir os gastos financeiros. O emissor regional está desde então ao serviço da M80.

Com o encerramento da estação, a empresa despediu 36 trabalhadores, entre os quais 22 jornalistas. No dia 21 de Julho esses mesmos trabalhadores apresentaram um manifesto aos partidos políticos, no qual defendiam tratar-se de uma "descontinuação questionável", que originou um despedimento colectivo "injusto" num "processo pouco transparente".

Este novo projecto da Media Capital conta agora com um responsável pela programação, um responsável de informação, três animadores e ainda dois jornalistas.

Ainda não há data prevista para o seu lançamento.



Fonte: Público

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