Descoberto segredo da cúpula de Florença


Durante seis séculos foi um dos maiores mistérios da história da arquitectura mas agora, depois de um estudo de 30 anos, o arquitecto italiano Massimo Ricci garante ter desvendado o segredo sobre a técnica que Filippo Brunelleschi utilizou na construção da cúpula da Catedral de Florença, Santa María del Fiore. Brunelleschi utilizou técnicas diferentes na estrutura interna e externa da cúpula e o próprio criou falsas pistas na construção para despistar os possíveis investigadores.

“Brunelleschi achava divertido o facto de ninguém conseguir desvendar o seu segredo”, disse Massimo Ricci numa conferência em Florença, transmitida em directo no site da National Geographic. “Ludibriar, despistar, confundir as ideias, foi um rasto típico da personalidade de Brunelleschi”, continuou o especialista.

Construída nos anos 1420/1430, a cúpula da Catedral de Florença, um dos símbolos máximos da cidade italiana, foi a primeira obra do género, de grandes dimensões, construída sobre uma enorme base octogonal, desconhecendo-se até hoje o plano de construção. O arquitecto renascentista não só construiu um monumento robusto e imponente, como escondeu o truque que mantém a estrutura.

Ao longo dos séculos foram vários os investigadores e arquitectos que tentaram perceber e até reproduzir a sua construção. A grande dúvida foi sempre descobrir como é que Brunelleschi conseguiu construir a enorme cúpula sem usar um suporte de madeira ou ferro. As teorias multiplicaram-se mas nunca com uma base científica credível, ao contrário do que aconteceu com Massimo Ricci, que apresentou esta semana os resultados da investigação “de uma vida”.

Dispostos em duas camadas diferentes e de duas formas diferentes, é a estrutura interna, que é a que aguenta o peso da construção, onde os tijolos foram dispostos na diagonal, “como a espinha de um peixe”, disse Ricci, explicando que “sem utilizar material metálico algum, como muitos estudiosos defenderam no passado, mas sim graças a um sistema de cordas que permitia calcular a posição e o angulo exacto a que cada tijolo devia ser posto”. Para esconder esta técnica, Brunelleschi ordenou que se marcassem os tijolos que ficavam à superfície com um risco, para deixar crer que tinham sido dispostos na vertical. “Um sistema único e nunca mais repetido na história”, garante.

Estas foram as conclusões do estudo desenvolvido por Ricci que só foi possível através do recurso a uma sonda, que entrou na estrutura através de uma fenda aberta na cúpula. Desta forma, o arquitecto conseguiu ter acesso ao “coração” do monumento. A sonda conseguiu entrar na estrutura com uma profundidade de cerca de dois metros, permitindo a Massimo Ricci obter imagens endoscópicas nunca antes conhecidas.

“Aquilo que eu pude verificar com um exame endoscópico na cúpula não contribui apenas para o conhecimento aprofundado da estrutura, como é também muito importante para intervir no seu restauro e consolidação. De facto, eu pude ver que os buracos estão em boas condições e isto é particularmente importante para a futura conservação desta obra-prima italiana”, disse ao La Repubblica o arquitecto.

O arquitecto e professor Massimo Ricci começou a estudar a construção da cúpula em 1975, ambicionando tornar-se no primeiro investigador a descobrir o método de construção de Filippo Brunelleschi. Em 1984 construiu uma réplica da cúpula à escala de 1:5 e desde então tem vindo a publicar vários artigos científicos na área.

Massimo Ricci é ainda presidente da associação “Ser Filippo Brunelleschi” e em Novembro de 2002 foi nomeado membro do Fórum Mundial da Unesco como especialista no restauro de monumentos.




Fonte: Público

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Encontro de artes em Coimbra


Coimbra vai acolher, pela primeira vez, um “PechaKucha Night”. Estranho? Sem dúvida. Mas interessante como explica Dominika Gorecka que viu neste evento nascido no Japão, “uma forma de reforçar o diálogo no interior da comunidade criativa da região Centro”.

Colocando Coimbra no centro desse diálogo, o evento pretende dar “a palavra aos muitos criativos da região que produzem coisas com muita qualidade, porém nem sempre com a projeção que estamos habituados a ver em Lisboa ou no Porto ou mesmo em outras cidades médias europeias”.

Esta primeira edição, que acontece sábado, a partir das 21H30, no Centro Cultural D. Dinis, no Pólo I da Universidade, vai juntar um leque de criativos, num total de 17, de design de comunicação, artes plásticas, arquitetura, arquitetura paisagística, ilustração, arte digital, artes performativas e cine-video. “Teremos uma mescla de nomes bem afirmados no panorama nacional como Silvestre Pestana, Nuno Coelho, João Nunes, Ricardo Back Gordon, Tiago Pereira e Tiago Taron. A estes nomes juntam-se notáveis profissionais da região como Susana Paiva, Adriano Esteves, Carlos Antunes e Desirée Pedro”, explica Dominika Gorecka que conta com o apoio de um grupo de colegas-designers – André Costa, Carmen Wahnon Morais e Laura Lousã – a residir e a trabalhar em Coimbra.

Mas o evento – que vai ter cobertura pela ESEC/TV – apresenta, também, nomes emergentes nestas áreas, selecionados por candidatura.


http://pechakuchacoimbra.blogspot.com/
http://www.facebook.com/PechaKuchaCoimbra
http://pecha-kucha.org/daily

pechakucha.coimbra@gmail.com


Fonte: AsBeiras

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Siza Vieira recebeu mais um prémio


Esta manhã, soube-se que o arquitecto Álvaro Siza Vieira tinha ganho a 3ª edição do Prémio Luso-Espanhol de Arte e Cultura. À tarde, antes de receber o grau de doutor honoris causa pela Universidade Técnica de Lisboa pelo contributo para o prestígio e dignificação da cultura portuguesa, mostrou-se feliz e honrado, mas acrescentou que não merece tantas distinções: “são demasiados prémios, não os mereço”, afirmou, acrescentado, em declarações à agência Lusa, que é um prémio transnacional e que por isso “é importante para Portugal e para a arquitectura portuguesa, não apenas para mim.”

Para além de uma quantia pecuniária de 75 mil euros, o prémio consiste na atribuição de um troféu da autoria da artista plástica Fernanda Fragateiro e será entregue em Janeiro, na cimeira luso-espanhola. Instituído por Portugal e Espanha em 2006, e de periodicidade bienal, o prémio tem como finalidade distinguir um autor, pensador ou criador vivo que, por intermédio da sua acção na área das artes e cultura, tenha contribuído para o reforço dos laços entre os dois países e para um maior conhecimento mútuo da criação ou pensamento.

O anúncio do prémio foi feito, simultaneamente, em Madrid e Lisboa, pelas ministras da Cultura dos dois países, a espanhola Angeles Gonzales-Sinde e a portuguesa Gabriela Canavilhas. A ministra da Cultura portuguesa declarou que Siza Vieira “é uma das referências mais marcantes da arquitectura e da cultura contemporâneas”, lembrando algumas das muitas distinções e prémios já recebidos pelo arquitecto, entre eles o Pritzker em 1992, o maior galardão da área da arquitectura, a medalha de ouro de Arquitectura do Conselho Superior do Colégio de Arquitectos de Madrid, a Medalha de Ouro da Fundação Alvar Aalto, o Prince of Wales da Universidade de Harvard, o Prémio Europeu de Arquitectura da Comissão das Comunidades Europeias/Fundação Mies van der Rohe ou a Medalha de Mérito cultural do Ministério da Cultura de Portugal.

Na primeira edição, em 2006, o galardão foi atribuído ao poeta e tradutor português José Bento, e em 2008, ao espanhol Perfecto Cuadrado, professor de Filologia Galega e Portuguesa na Universidade das Ilhas Baleares e tradutor de obras portuguesas para castelhano, entre elas, a de Fernando Pessoa.

O Júri da 3ª edição, que decidiu por unanimidade, foi constituído pela jornalista Clara Ferreira Alves, pelo escritor João de Melo, pelo arquitecto Manuel Graça Dias, pelo jornalista José Manuel Diego Carcedo, pela arquitecta Fuensanta Nieto e pela jornalista Pilar del Río. O arquitecto Carrilho da Graça congratulou-se com a distinção, afirmando à Lusa que a sua obra é “impressionante, com grande expressão material em Portugal e forte presença em todo o mundo”, enquanto a vice-presidente da Ordem dos Arquitectos Ana Tostões destacou o simbolismo da atribuição: “fico feliz com esta decisão. É sem dúvida merecido e simbólico que se faça uma homenagem a Siza Vieira num contexto ibérico.”

Nascido em Matosinhos, em 1933, Siza Vieira estudou na Escola Superior de Belas Artes do Porto e tem uma vasta obra arquitectónica de projecção internacional. O Museu de Serralves, a Casa do Chá, o Pavilhão de Portugal na Expo 98, a igreja de Marco de Canavezes ou o projecto de renovação do Chiado são algumas das suas obras mais emblemáticas, tendo também concebido o projecto para o Centro Meteorológico da Vila Olímpica, em Barcelona, ou para o Museu de Arte Contemporânea da Galiza. Mais recentemente projectou o museu para a Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, no Brasil.




Fonte: Público

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