Entrevista #20 - com Os Velhos


Os Velhos

Portugal - Lisboa
www.myspace.com/osvelhos



Whisper - Tendo em conta as vossas idades, expliquem-nos de onde veio o nome Os Velhos.
Os Velhos - Depois do nosso primeiro ensaio, o Vasco, irmão do Francisco, teve uma visão em sonhos na qual a nossa banda, na altura sem nome, se chamava Os Velhos. Pelo sim, pelo não, decidimos adoptar.

W - O que vos levou a criarem um álbum como "Velhos"? Era algo que já tinham planeado há muito tempo?
OV - Desde há uns anos que andamos a fazer canções. Acreditamos que as canções são uma maneira potente de dizer coisas, por isso temos uma vontade grande de fazer canções nossas. Em 2009 surgiu a oportunidade de editarmos as primeiras canções em formato de EP e a gravação do disco foi o passo seguinte, muito mais controlado e intencional. A nossa vontade de gravar as canções que andámos a fazer e a oportunidade de o fazer com apoio da Amor Fúria e da Valentim de Carvalhos fizeram com que acontecesse agora.

W - O que marca este vosso primeiro trabalho? Quais as suas influências e referências?
OV - Este disco tem as nossas canções, tocadas e gravadas da maneira que achámos mais adequada. Quanto às referências, não pretendemos que se oiça mais do que nós no disco, mas talvez faça sentido falar de bandas e músicos que são importantes para nós, como os Ramones, os Velvet Underground, The Band, o Alfredo Marceneiro, os Strokes, os Lacraus, os National, o Halloween e os Rolling Stones

W - Como se deu a produção do álbum?
OV - O disco foi gravado pelo José Fortes, que muito amavelmente trouxe o seu equipamento e nos acompanhou à casa em Évora para onde vamos tocar muitas vezes aos fins-de-semana. Tirámos as loiças e a mesa da casa de jantar e montámos lá os instrumentos e microfones. O José e o Manuel Fúria, que foi o produtor, ficaram na sala, onde se fez uma régie. Tocámos as canções como costumamos tocar e em casa, como queríamos.

W - Que impacto gostariam de ter na musica portuguesa? É algo que vos preocupa e vos move?
OV - Não há muitas coisas na música portuguesa que nos interessem, mas as que nos interessam, apesar de, em alguns dos casos, estarem distantes do som do nosso disco (são do fado, do hip hop), são muito importantes para nós. Não sabemos até que ponto isto entra nas nossas canções, mas também não é isso que nos preocupa. Também não nos preocupa o impacto imediato que temos. O que nos preocupa é fazer e tocar canções da forma mais sincera que conseguimos e deixá-las disponíveis para que outros as ouçam.

W - O rock nacional cantado em português actualmente apresenta uma grande força e dimensão no nosso país. Isso dá-vos um maior sentido de responsabilidade e pressão para fazerem com que a banda se destaque entre as outras?
OV - Não. O nosso objectivo não é que a nossa banda se destaque entre as outras. O nosso objectivo é fazer canções que acreditemos que são boas e tocá-las e gravá-las da maneira que acreditamos que é a melhor. O sentido de responsabilidade que temos vem da nossa consciência e não de uma circunstância que, na sua maior parte, nos interessa pouco.

W - Como têm sido a aceitação do público?
OV - Temos dado alguns concertos e tido algumas boas reacções de várias pessoas, e isso deixa-nos contentes. Por isso, a aceitação parece estar a ser boa.

W - Vocês irão marcar presença no Festival Alive! no dia 6 de Julho, no Palco Optimus Clubbing. Vêem isso como uma boa oportunidade para se darem a conhecer?
OS - Sim. É um concerto em que vamos tocar com a mesma força que tocamos nos outros, que é aquela que temos e conseguimos usar, mas provavelmente há uma probabilidade maior de aparecerem pessoas que ainda não nos ouviram, o que é bom.

W - Quais serão os próximo "passos" d'Os Velhos?
OV - Para já, esperamos andar por aí a tocar as canções do disco para quem as queira ouvir, mas temos vontade de continuar a fazer canções.

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Entrevista #19- com Tiago Xavier


Tiago Xavier
Aveiro - Lisboa

www.tiagumos.com



Tiago Xavier é um fotógrafo nacional
de grandes paixões dentro da arte. Conheça um pouco
melhor este artista que conta com um portfólio recheado
de grandes projectos e alguns nomes sonantes.



Whisper - Como surgiu o seu interesse pela fotografia?
Tiago Xavier - Desde muito cedo, que me lembre, sempre tive uma grande paixão pelas artes e culto da imagem. Tudo começou com o desenho, evoluiu para um percurso académico de design gráfico e pelo meio com a facilidade que o meio digital trouxe em acesso e à prática da fotografia fiz de minha companhia uma câmara que não dispenso para onde quer que vá. De início servia para uma documentação biográfica do que ia acontecendo na minha vida, mais tarde comecei a interessar-me por criar e produzir imagens encenadas, convidando amigos para pousar.

W - Como foi o início da experiência como fotógrafo e o processo de aprendizagem?
TX - Comecei por integrar a fotografia nos primeiros trabalhos de vídeo e design que fiz a nível profissional (ainda durante os tempos de estudante). Com o tempo e durante o percurso académico senti que a fotografia dava-me mais gozo e sentia-me mais desafiado em resolver os trabalhos com imagens. Houve então uma necessidade de aprofundar conhecimentos e ganhar mais experiência. Na altura não me identifiquei com nenhum curso de fotografia, pelo menos por cá. Como tantos outros que admiro e já com grandes carreiras na área, parti para uma aprendizagem por meios próprios, na base da leitura, ver muita coisa (boa) e principalmente experimentando muito. Estando já nesta fase a trabalhar dentro deste mundo competitivo ganhei mais estímulo para aperfeiçoar esta arte. O percurso é ainda muito longo para tudo o que quero aprender e dominar.

W - Quais são suas principais influências nesta área?
TX - Sou bastante influenciado por trabalhos comerciais de alguns fotógrafos, dentro da moda e publicidade, tais como David Lachapelle, Jill Greenberg, Mario Testino, Mondino, entre muitos outros, e também pelos grandes mestres, Henri Cartier Bresson, Helmut Newton, Yousuf Karsh, Newman Arnold...

W - No seu portfólio existem vários tipos de fotografia, qual é aquela que mais lhe agrada e porquê?
TX - Acho que principalmente prefiro fotografar algo com vida, gosto de conhecer pessoas novas, aprecio muito mais o processo em si do que propriamente o resultado, onde se aprende muito mais. Daí que retrato, seja de pessoas ou seja de animais, num ambiente controlado de estúdio ou mais jornalístico, talvez seja o que me dá mais gozo fazer. Também gosto de contar histórias e criar realidades em imagens mais conceptuais.

W - Normalmente, que tipo de material e assistência necessita numa das suas sessões fotográficas?
TX - De um modo geral trabalho muito com luz artificial (flashes normalmente), por ser muito perfeccionista e gostar de controlar tudo o que se vê na imagem final. As minhas equipas variam conforme a dimensão da produção, posso ser apenas eu e um modelo, ou como podem ser vários modelos, assistentes de luz, directores criativos, etc. O necessário para o trabalho sair o melhor possível e ser feito da forma mais prática.

W - Sabemos que faz parte do gabinete de design gráfico “Sente Design” em Aveiro, do qual é co-fundador. Consegue ligar o design à sua fotografia?
TX - Sim, foi aliás assim que comecei a dar mais atenção à fotografia, a partir dos trabalhos de design que fazia e sentir a necessidade de criar e controlar as imagens complementares que necessitava usar. Para mim o design é muito mais que uma maneira de vender da forma “mais bonita” um produto, é uma maneira de viver. Ensina-nos a ver o mundo com um olhar mais atento, a estruturar o pensamento, a trabalhar na lógica das coisas. Desta forma aprende-se que compreendendo melhor o objecto de estudo, com base em conhecimentos em quase todas as áreas, se conseguem soluções vencedoras. Não é no entanto o que mais faço agora, mas continuo a actividade, que na maior parte das vezes é a junção com a fotografia num trabalho.

W - Tem mais alguma “paixão” para além da fotografia e design?
TX - Muitas mais, como a música e banda desenhada, mas a principal é sem dúvida o cinema. É o que me faz sonhar e onde muitas vezes ganho inspiração para projectos pessoais. Em relação a esta arte, lamentavelmente vivemos em Portugal. Nesta área em especial é muito difícil dar os primeiros passos por cá, da forma como a indústria funciona. Tenho tido a sorte de por vezes ser chamado a trabalhar em equipas de produção de spots publicitários, o que me faz estar mais perto do meio.

W - Recentemente participou numa curta-metragem chamada “Breu”. Fale-nos um pouco sobre essa experiência.
TX - Não foi apenas uma participação e tão pouco recente. É uma curta-metragem feita por um conjunto de colaborações de pessoas das mais diversas áreas. A fotografia principal foi feita em duas semanas em 2005, por diversos motivos a pós-produção se prolongou até 2009 e só agora no início de 2010 a curta ficou pronta. O Breu é escrito e realizado pelo meu grande amigo Jerónimo Rocha, e eu sou co-autor e produtor, ainda com passagem pela pele de actor, desprovido de qualquer pretensão em seguir carreira na área (risos), respeito demasiado os actores para isso. O Breu é um conto sobre o medo do escuro, feito a partir da grande paixão que todos temos pelo cinema. Estamos agora na fase de envio para festivais e qualquer convite para exibição é bem-vindo. Quem quiser saber mais visite: www.degredo.com.

W - Para finalizar, alguma mensagem que queira deixar aos leitores, fotógrafos, promotoras, revistas…?
TX - Creio que a melhor coisa que possa dizer é incentivar todos a respeitarem-se uns aos outros, darem valor ao profissionalismo e ao que de bom se faz por cá. Bons trabalhos e muita criatividade. Muito obrigado à Whisper pelo convite.


POSTED BY Joana Vieira
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Entrevista #18- com Uxu Kalhus


Uxu Kalhus




Uxu Kalhus são uma banda nacional de folk
ligada à terra, dança e tradições da nossa música.
Conheça melhor esta banda que nos enche de folia a
cada nota que faz soar.




Whisper - Contem-nos um pouco sobre a história dos Uxu Kalhus.
Paulo Pereira - Eu dava aulas de dança em Évora em 1998 e conheci a Celina; tinha acabado de deixar os Bailia, e formámos um duo que se chamava CPPP (Celina Piedade + Paulo Pereira). O Repertório era essencialmente música dita Europeia. Rapidamente o duo passou a trio (com o Winga) e mais tarde, em 2000, houve um convite para ir a Gennetines fazer um baile Português. Nesse momento juntou-se à banda o Vasco Casais, porque achávamos importante ter cordas no grupo. Portanto, na realidade, os fundadores d’Uxu Kalhus foram 4: Paulo Pereira, Celina da Piedade, Winga e Vasco Casais. Foi nesse ano que efectivamente nasceram Uxu Kalhus, baptizados pela Margarida Moura, que também foi a França para ensinar as danças. Mais tarde entrou o Eddy (2002) e depois o Miguel Casais (bateria) e Hugo Menezes (percussão). O Hugo entretanto saiu, e foi este sexteto que gravou em 2004-2006 a Revolta dos Badalos. A Joana Negrão por um breve período de tempo também fez parte da banda, e desde 2006 saíram o Vasco Casais, o Miguel Casais, o Winga e agora a Celina, sempre por incompatibilidade com outros projectos (Dazkarieh, DZRT, Blasted Mechanism e Rodrigo Leão). Em 2006 (final) entrou o Tó Zé (guitarras) e o Luís Salgado (bateria) e os mais recentes membros da banda são o André Lourenço (teclas) e Joana MArgaça (voz), que entraram em 2009.
To Zé - Eu sou um “cristão-novo”. Conheço o grupo há muito tempo, mas só fui “evangelizado” em 2006, com um convite surreal por meio telefónico e em manhã submersa, tão ao jeito dos membros da banda com filhos madrugadores… Conhecia o Eddy dos tempos das muitas e variadas bandas de garagem da fervilhante “cena eborense” dos anos 90, em que militámos ambos activamente. Conhecia a Celina das muitas músicas onde andava e conhecia o Paulo pela Pé de Xumbo (na altura, trabalhava na Div. de Cultura do Município de Évora e havia uma relação de proximidade com a Associação, que desenvolvia já uma actividade importante na cidade e no concelho). Conhecia também o Vasco, mais até pelos Dazkarieh e porque me apareceu numa bela tarde solarenga na extinta “Fábrica da Música” com uma gravação dos Daz.; sabia quem era o Nuno, ainda antes da metamorfose para Winga (tínhamo-nos cruzado algumas vezes, quase sempre em situações improváveis) e conhecia o Hugo (Mandinga) pelo seu trabalho em diversos projectos. Em 2005, se não estou em erro, a PédeXumbo organizou uma residência de Músicos na Herdade da Marmeleira (Évoramonte) e eu, vindo do funk-rock-experimental-o-qualquer-coisa, meti férias da função pública e tive oportunidade de trabalhar com um grupo de músicos “a sério” e filiados na folk e no movimento das danças, entre eles estavam os Uxu.… do outro lado da linha, diziam-me que a banda estava num momento de mudança e perguntavam-me se queria participar. Respondi que sim, sem saber bem ao que ia. Mais tarde, consciencializei o processo e perguntei-me como é que um pseudo-músico-dos-tradicionais-3-acordes-do-rock podia “sacar” tantos temas a “mil à hora” e em tão pouco tempo. Liguei de volta. Ninguém atendeu. Fui conhecer os temas à Nazaré, em agradável sábado de sol do Oeste e fui ensaiar à Reca (onde se juntou o companheiro Luís Salgado, Bateria). Primeiro e único ensaio antes da digressão da “Revolta dos Badalos Tour”.

W - Como é que caracterizam o vosso som?
PP - Partimos do baile como fonte inspiradora; mas não consideramos que temos que ter um conhecimento quase científico das coisas para poder mexer nelas; por isso compusemos danças Portuguesas como o Vira ou as Saias, ou danças “Europeias” como o círculo ou a mazurca; não temos qualquer problema neste processo: somos músicos que se servem das danças como material para moldar um repertório inovador e original. Não temos a pretensão de ter que ter um doutoramento em viras antes de podermos compor um. A música popular sempre foi do povo. O que nós fazemos é perpetuar essa tradição, e dar vida à música popular.
TZ - O repertório da tradição oral e/ou outro material vem ter connosco e depois fica … ou não. É preciso sentir na pele. Há uma selecção natural que acaba por acontecer sem que façamos “pressing” nesse sentido. Quando estamos juntos tocamos! Seja onde for: muitos temas aparecem nos testes de som ou à mesa de um café ou nas intermináveis viagens de carrinha (quando a dita se digna a funcionar). Por outro lado, fazemos música original para formas definidas (como o corridinho, as saias, etc …) e brincamos às coreografias, contribuindo assim para aumentar o repertório de música e dança de inspiração portuguesa. Somos gente e músicos do nosso tempo, com acessos e exclusões característicos dos lugares onde vivemos (e ainda das tradicionais condições económicas, sociais, culturais e outras acabadas em ais). O que propomos é um olhar actual para a nossa música e dança, entendendo o baile enquanto fenómeno social total e totalizante, por isso nos filiamos no NBP [Novo Baile Português].

W - Os elementos da banda provêem tanto de vários pontos do país como de vários estilos musicais. Como conseguem lidar com esses factores?

PP - Com total liberdade; ou seja, cada um expressa-se a 100% (ou quase na banda). É essa a nossa riqueza por isso não tem sentido mudar essa filosofia.
TZ - Uxu Kalhus vivem justamente dessa diversidade. A banda é a soma das partes que, muitas vezes, supera o todo. Orgulhamo-nos de ter uma secção barroca a tocar com a “dark force” do jazz-metal, com inputs de funk-rock a soar a arfro-swing de tradição europeia. Isto é música portuguesa… de fusão.

W - O que mudou com a saída de Celina da Piedade e a entrada de Joana Margaça?
PP - Perdemos a Celina, ganhámos em banda. Continuamos todos amigos, como também acontece com o Vasco Casais ou com o Winga; mas para chegarmos mais longe, amadurecermos como banda e termos disponibilidade para tocar sempre que nos solicitam, esta era a única solução. O importante é que a amizade continua e haverá muitas oportunidades para tocar com a Celina, dentro d’Uxu Kalhus (Uxu Big Lula, etc.) nas jams, em duos, trios e o que mais for. Para fora, tenho a certeza que o que fazemos ao vivo irá cativar as pessoas da mesma forma. E neste momento, pelo elevado número de solicitações de promotores de espectáculos, a solução encontrada parece-nos ser a mais acertada para podermos evoluir como grupo e podermos ser músicos profissionais.
TZ - Uma banda é um colectivo de pessoas, não depende, pelo menos em teoria, da inspiração e transpiração de um(a) só. Como colectivo, trabalhamos todos para o todo. A saída de um elemento, seja mais carismático ou não, é sempre um momento de mudança e pode ser encarado como um “handicap” ou como uma oportunidade de renovação (qualquer semelhança com a crise económica é pura coincidência). A Celina foi fundadora do grupo (com o Paulo), é uma grande “Música” (assim, no feminino), para além de uma amiga. Como tal, é um elemento incontornável na história da banda. Mas ninguém é insubstituível e, com a saída da Celina, Uxu Kalhus renovaram-se e ganharam um respeitável cravista/baixista e uma voz quente na linha da frente. Somos 7: André – teclas e vozes, Paulo – flautas e vozes, Tó-Zé – Guitarras e vozes, Eddy – Baixo e vozes, Luís – bateria e percussões, Joana – Voz principal e Samuel – Som e vozes surpresa. Mas ninguém sai verdadeiramente d’Uxu Kalhus, somos uma grande família e “uma vez badalo, para sempre badalo!” A prová-lo, está a ficha técnica do último CD, onde figuram actuais e antigos membros oficiais da banda, todos próximos, embora a militar activamente em diferentes projectos. Como todos os que passaram por aqui, estou certo que nos encontraremos com a Celina sempre que possível e quando isso acontecer far-se-á uma festa, a celebração do encontro dos badalos!

W - Falem-nos um pouco sobre o vosso último trabalho intitulado “Transumâncias Groove”.

PP - Os arranjos foram construídos em ensaios, ao vivo e em estúdio. Correspondem a uma forma muito particular que temos de trabalhar, onde cada um se expressa com total liberdade. O resultado está aí à vista e a sonoridade do CD corresponde a um colectivo muito forte. Neste CD tivemos também a preciosa ajuda de Marco Jung, que produziu e melhorou alguns temas, sem nunca interferir com a “linha editorial” do grupo; pelo contrário, potenciou as qualidades e eliminou defeitos. Grande Marco! O CD leva-nos numa viagem metafórica concretizada nos capítulos em que dividimos o alinhamento: Transumâncias extremas, com a Itália e Índia no mesmo tema, a saia da Carolina do extremo de Portugal, as mazurcas que mesclam países e o círculo juntando Trás-os-montes, o passado e o presente. Geografias marcadas com as Saias do Alentejo, Cabo Verde e a Chapelloise (com Alentejo, Trance, e América Latina), porque são ritmos e danças e culturas muito marcadas, que se distinguem pela sua originalidade muito forte. Trilhos da Lusofonia, com a reinvenção do que é Português em primeiro plano, como o vira, a valsa (moda algarvia), o corridinho e a carvalhesa; mesmo a Bónus Track encaixa neste capítulo, com o Rap em português a ser o mais moderno trilho da nossa Lusofonia.
TZ - Ao contrário de algumas bandas, quando fomos para estúdio tínhamos apenas uma ideia do que queríamos fazer. Havia já algum material original e versões de temas (como a Saia da Carolina) que foram surgindo nos ensaios, nos testes de som e em outros lugares igualmente estranhos onde nos encontramos. O estúdio é uma excelente oportunidade para experimentar e exercer a liberdade criativa. Foi isso que fizemos. Criámos as estruturas base e cada um fez praticamente aquilo que lhe ditava a sua consciência na altura. Salvo raras excepções, gravámos a bateria e o baixo (conforme gravação de ensaio em tarde solarenga na casa do Paulo, entre choro e riso de crianças e uma vista fabulosa sobre a Serra da Arada) e os temas foram ganhando forma a partir daí. Gravámos no Marduc Studio, Trabalhia – Caldas da Rainha, um espaço relativamente isolado, bem apetrechado, com cozinha, sem relógio de parede e um “homem dos botões” que acabou por ser mais um elemento da banda em gravação, o Marco Jung – excelente músico, técnico e membro oficial da família Uxu! Os arranjos também lhe pertencem, foi parte muito activa no processo. Outro factor importante tem a ver com os músicos convidados, que foram preenchendo espaços e contribuindo para o resultado final do disco. Sabíamos os ambientes sonoros que queríamos para cada um dos temas, conhecíamos as pessoas indicadas para o efeito e, que casualidade, a esmagadora maioria fazia parte do nosso grupo de amigos… Reunido o material de estúdio, havia necessidade de dar uma ordem ao disco. À música X deverá corresponder a faixa Y. Curiosamente, a ordem do disco foi praticamente consensual entre os membros da banda e dessa ordem saíram linhas de força que agrupámos por capítulos. O capítulo 1 [Transumâncias Extremas] reúne uma Tammurriata da Serra do Caldeirão, uma Saia da Carolina, um Círculo e uma suite de Mazurkas. Músicas e danças de Latitudes e longitudes extremas anunciam a partida e dão início a este baile improvável. O capítulo 2 [geografias marcadas] propõe uma passagem por geografias diversas, nem sempre horizontais, com danças de pares e de grupo, para ajudar no caminho e desfrutar das paisagens marcadas por rios, mares, ilhas, desertos e pastagens. Na mochila, umas saias do Manuel do Rio, uma suite de funanás e uma chapelloise ibérica arrumam-se com o farnel do viajante. No capítulo 3 [Trilhos da Lusofonia], o mais extenso, agrupam-se uma suite de valsas populares e eruditas em co-existência pacífica e com contornos de cumplicidade, um corridinho da bela serra do Arestal, um “energizante” Vira do açúcar, um momento de reflexão para descansar os pés quentes/dormentes e exercitar a mente em conversa sobre estas questões da viagem e ainda uma carvalhesa com gaita transmontana, desafinada por natureza, a dar por finda a transumância por latitudes e longitudes improváveis. No encore, momento ainda para uma fusão extrema, com o hip hop a juntar-se ao folk na leitura da urbanidade, reforçando a ideia de que este último, o Folk, “pode ser actual e contemporâneo – não necessariamente delicodoce!”

W - Quais são os grandes pontos de divergência entre o “A Revolta dos Badalos” e o “Transumâncias Groove”?

PP - Há duas grandes diferenças: 1ª diferença, na revolta fizemos arranjos de danças portuguesas tradicionais, neste CD compusemos danças Portuguesas; a 2ª diferença é que temos duas danças de Grupo Folk (círculo e Chappeloise), o que não existia no 1º CD. De resto, a nossa postura é a mesma, e no fundo o que fazemos é aprofundar o trabalho começado com a revolta. Claro que a receita terá sempre a mesma génese criativa: o baile, os ritmos de danças, a lógica do movimento dos corpos é a nossa matéria prima para a construção das músicas.
TZ - Uxu Kalhus são um organismo vivo, em constante mutação, e na procura de caminhos para a construção de uma identidade sonora dinâmica e “desempoeirada”. A banda vive de quem a habita e de quem a visita, sem pretensão de criar receitas, por mais abertas que sejam, como bases para uma qualquer sopa de legumes. Não creio que o Transumâncias repita a mesma “fórmula” do primeiro disco, na medida em que há novos intervenientes no processo, novas histórias de permeio e mesmo métodos de trabalho diferentes. No entanto, há uma filosofia de grupo e desse ponto de vista, o resultado final acaba por espelhar aquilo que pensamos e a maneira como lemos o que nos rodeia. Se há um fio condutor entre o primeiro e o segundo disco, que aponte no sentido da construção de uma sonoridade própria e característica do grupo, isso deixa-nos naturalmente felizes e satisfeitos com o nosso trabalho.

W - Como é que caracterizam um concerto vosso? Falem-nos um pouco sobre essa experiência.
TZ - Um concerto de Uxu Kalhus é sempre uma experiência única para a banda e para o público. Não fazemos alinhamentos em toalhas de restaurante nem, muito menos, os trazemos de casa já imprimidos em A4 a bold. Tocamos o que nos apetece, no momento em que nos apetece. A esta filosofia, juntamos improvisação qb e uma boa dose de energia. Os espaços onde tocamos acabam por ter um papel, por vezes, relevante na direcção de um espectáculo nosso. Um auditório é diferente de uma sala sem lugares sentados ou de um recinto de festival ao ar livre, por exemplo. Os espectáculos acabam por ser diferentes. Num auditório, andamos mais próximos de um concerto e, nos outros espaços, de um espectáculo onde a dança tende a ganhar maior importância, será qualquer coisa como um concerto/baile. Gostamos de ambos os formatos, têm sabores diferentes, mas sempre boa energia. É claro que nada disto é estático, em várias ocasiões, já assistimos ao transformar de um concerto para gente sentada num grande baile entre cadeiras (riso). Outro aspecto importante acontece quando temos oportunidade de fazer um workshop de dança antes do concerto, ou concerto/baile. Faz parte da filosofia do grupo fazer estes workshops, dirigidos a todas as faixas etárias, níveis técnicos e dimensões de barriga. Para além de deixarmos a semente do baile, criamos uma relação “a priori” com o público, que nos permite um diálogo mais fluido durante os espectáculos.

W - Onde encontraram o vosso melhor público?
TZ - Em qualquer lugar que reúna uma moldura humana disponível para ouvir e sentir a música que produzimos e que permita estabelecer uma atmosfera de diálogo. Isto pode acontecer, literalmente, em qualquer lugar. Temos tido experiências muito interessantes em latitudes tão distintas e distantes como Macau, Alemanha ou Trás-os-Montes.

W - Têm projectos para o futuro que queiram partilhar connosco?
TZ - Em 2010, a banda comemora o seu 10º aniversário. Uxu Kalhus nasceram com o milénio. Pensamos que está na altura de fazer um registo ao vivo, em jeito de balanço, mas também com os olhos postos no futuro. Será um disco 50/50, com uma síntese de temas antigos e novos temas, que estamos a trabalhar e a descobrir agora. Queremos continuar na senda da Europa e levar estas Transumâncias [Transumâncias Groove, Uxu Kalhus - 2009] ainda a outras paragens. Há muita estrada para andar e o caminho faz-se caminhando. De resto, queremos continuar a descobrir e reinventar a música portuguesa e divertir-nos imenso com isso.

W - Alguma mensagem que queiram aproveitar para deixar aos nossos leitores, aos vossos seguidores, ou às promotoras nacionais, etc?
TZ - Aos leitores da revista, que continuem a ler e que tenham sempre uma atitude crítica sobre tudo o que lêem. Que escutem música com a mesma atitude. Aos seguidores, se existem, que continuem a aparecer para fazer a festa e que tragam amigos (as) também. Às promotoras nacionais, que tenham presente que a única maneira de sobreviver no mundo global é com identidade. Apostem na música portuguesa e ajudem-nos a todos a redescobri-la e reinventá-la.

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Entrevista #17- com Legendary Tigerman


Legendary Tigerman




O homem-tigre de Coimbra deu-nos uma pequena
entrevista onde fala sobre si e o seu mais recente
projecto de grande sucesso intitulado “Femina”.


Whisper - Antes de mais, como surgiu a ideia de criar o projecto “one man band”?
Legendary Tigerman - Bem, na verdade, foi mais ou menos fortuito...no sítio onde estava a ensaiar, sozinho, havia um bombo e um prato de choque, que comecei a usar para marcar o ritmo, e de repente algumas músicas começaram a funcionar neste formato...

W - O seu mais recente trabalho intitulado “Femina” conta com a participação de várias vozes femininas, tais como Asia Argento, Peaches, Maria de Medeiros, Rita Redshoes , entre outras. Como surgiu a ideia de fazer um álbum onde a Mulher é o seu principal elemento?
LT - Mais uma vez, não diria que foi por acaso, mas surgiu primeiro a ideia de um guião para um filme, com o mesmo nome, para o qual convidei a Asia Argento, para representar e cantar… O filme ainda não foi feito, mas a ideia desenvolveu-se para o disco, uma série de curtas, uma instalação/exposição que está em pré-produção...

W - Este trabalho tem sido alvo de boas críticas. Isso não o pressiona para a realização de um “Femina II”?
LT - Não, de todo. Felizmente só faço aquilo que quero.

W - “Femina” deu origem ao documentário “On The Road to Femina” de Jorge Quintela. Fale-nos um pouco sobre ele.
LT - É um documentário verdadeiro, sem tretas. O Jorge veio acompanhar uma parte do processo de gravação e filmagens, e mostra o seu olhar, sem censura.

W - A edição especial do álbum inclui um DVD com várias curtas-metragens que realizou juntamente com as artistas que participaram no mesmo. Esta ideia surgiu como uma necessidade de completar visualmente as músicas do “Femina”?
LT - O super8 e o cinema têm estado sempre presentes neste projecto, e são tão importantes para mim como a música... dá-me muito prazer realizar estes filmes, que para mim tinham que ser despojados, verdadeiros, que mostrassem as mulheres que existem por trás destas artistas.

W - Porquê a utilização do formato Super 8mm para a realização deste projecto cinematográfico?
LT - Não consigo filmar em vídeo, odeio, só consigo filmar em Super8. É imediato, película, tens que pensar depressa, ter olhar fotográfico. E plasticamente, não há nada mais bonito.

W- A fotografia da capa do “Femina” ficou a cargo de Jean-Baptiste Mondino mas a grande referência que é feita é ao artista Serge Gainsbourg que têm uma fotografia idêntica. Porquê esta relação?
LT - A fotografia do Gainsbourg não é idêntica, eu chamaria a isto uma citação, uma homenagem. Parece-me claro porque a faço.

W - Durante 38 anos viveu em Coimbra. O que o fez sair da cidade que é a sua casa?
LT - Como já foi muitas vezes dito por muita gente, a minha casa é onde penduro o meu chapéu...

W - Alguma mensagem que queira aproveitar para deixar?
LT - Dont follow me, i´m lost too.

POSTED BY Joana Vieira
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Entrevista #17- com The Soaked Lamb


The Soaked Lamb





Whisper - Para quem não vos conhece, quem são os The Soaked Lamb? Contem-nos um pouco da vossa história.
The Soaked Lamb- A nossa história começa há 70 ou 80 anos atrás, ainda antes da II Guerra Mundial. Primeiro foi uma ideia, que depois levou à gravação de um disco todo feito em casa, acompanhado dos almoços de Domingo feitos de ensopado de borrego, vinho tinto e blues. Ficou pronto muito tempo depois - por volta de 2007. Só depois do álbum acabado é que surgiu a banda propriamente dita, que foi petiscar o nome a esses almoços. Muitos concertos depois, começou a tomar forma o segundo disco, aquele que editamos agora - “Hats & Chairs” - quase tão antigo como o outro, embora já tenha alguns toques de modernidade. Afinal, foi editado em 2010 e tem a maturidade de uns longos 3 anos.

W- A banda está fortemente relacionada com o blues e jazz, estilos musicais pouco populares em Portugal. Como lidam com isso?
TSL - A popularidade não quer nada connosco. E nós com ela. Não é algo de que estejamos à procura ou que nos consiga achar assim tão facilmente. Não compomos música para ir de encontro a gostos, a não ser o nosso próprio. De qualquer forma, fazemos as coisas tão devagar, mas tão devagar, que mesmo que quiséssemos acompanhar alguma moda, quando tivéssemos algo pronto para apresentar, essa moda já tinha passado. E para nós passou mesmo há muito tempo. Claro que não recusaremos qualquer tipo de protagonismo, se um dia nos bater à porta. Até esse dia chegar, esperaremos sentados, de chapéu, confortavelmente longe de resultados de vendas e tops da moda.

W - Como surgiram os vossos álbuns? É um processo demoroso?
TSL - É mesmo muito lento. Sentimos que demoram décadas a construir. 7 ou 8 décadas, para sermos mais precisos. Felizmente, temos muito tempo para ter o vagar necessário que eles nos exigem. Em ambos os discos, concentrámos as gravações aos Domingos. E vários passaram até estarmos satisfeitos, até chegarmos onde queríamos. No caso do primeiro álbum, como já dissemos, surgiu duma ideia de fazer um disco, antes mesmo de existir a banda. O segundo já apareceu como mandam as regras. É fruto de ensaios, concertos, e da nossa convivência enquanto banda. Foi inteiramente gravado em estúdio, apesar de também ser “homemade” no sentido em que foi todo feito por nós. É composto só de originais, ao contrário do primeiro, em que metade dos temas eram versões. E tem mais instrumentos. Muito mais instrumentos. As gravações tiveram a mesma lentidão que as anteriores, mas sem o ensopado de borrego para o almoço. Perdeu-se na qualidade das refeições, mas ganhou-se em qualidade de som.

W - "Homemade Blues" é o nome do vosso primeiro álbum de onde grande parte dos portugueses lembram o tema "Doomed to Heaven" do anúncio televisivo para a marca Guloso. Como surgiu esta oportunidade capaz de deixar a vossa música nos ouvidos de toda a gente?
TSL - Não sabemos se deixou a música nos ouvidos de toda a gente, mas deixou com certeza um ligeiro hálito a refogado. Neste caso concreto, o ladrão fez a oportunidade. O Miguel, baterista, trabalha num estúdio de produção áudio, e propôs, entre outras músicas de diversos autores, o nosso “Doomed to Heaven Rag” como banda sonora para esse filme em concreto. Esse foi o tema escolhido, para nossa sorte, da agência de publicidade e da marca de concentrado de tomate.

W - O vosso mais recente trabalho intitulado “Hats & Chairs” contou com uma série de convidados. Falem-nos um pouco sobre eles e como surgiram nesse projecto.
TSL - Os convidados aparecem em alguns temas do disco. São amigos que admiramos também como músicos, e que conseguimos enganar sem eles darem por isso. Enfiámos-lhes um chapéu. As músicas em que participam, ganharam uma dimensão que não tinham só com os 6 membros da banda. Os temas não seriam muito diferentes sem eles, é certo. Mas seriam com certeza mais pobres. São eles: Nuno Reis (Funk Off And Fly; Mercado Negro; Cool Hipnoise), Pedro Gonçalves e Tó Trips (Dead Combo), Jorge Fortunato (49 Special). O disco foi ainda misturado e masterizado por Branko Neskov.

W- O que são os “chapéus e as cadeiras” no vosso último trabalho?
TSL - Os chapéus são 6: Mariana Lima, voz e saxofone; Afonso Cruz, voz, guitarras, harmónicas, banjo e lap steel; Gito Lima, contrabaixo; Tiago Albuquerque, ukulele, trompete, clarinete, saxofone, concertina; Vasco Condessa, piano; Miguel Lima, bateria. As cadeiras são menos numerosas, mas não menos importantes. Fazem parte da nossa postura em palco, em que todos tocam sentados, e do nosso cuidado com os detalhes e com as vértebras do pianista. Costumamos dizer que fazemos música sentados, e para um público também sentado. O chapéu é opcional apenas para o público.

W - Tivemos a oportunidade de vos ver actuar em Coimbra e vimos que se depararam com condições algo precárias para uma actuação. É algo que vos acontece com frequência? Sentem-se obrigados a aceitar para darem a conhecer a vossa música?
TSL - Durante esta tour, tocámos em locais com som fantástico, como o C.C.Vila Flor, e com um som medíocre, como o que mencionam. Quando queremos promover o nosso trabalho (neste caso o novo CD), temos - e queremos - chegar ao máximo de cidades e pessoas que nos for possível. Isso implica tocar em locais em que as condições não são as melhores. Não nos sujeitamos a qualquer coisa, claro. Mas, infelizmente, é a realidade de muitas das salas do País, e não há muitas formas de contornar essas deficiências. Mas esta tour, até por ter sido bem maior do que o que já tínhamos feito, fez-nos subir um pouco a exigência. E dificilmente voltaremos a tocar em locais como esse de Coimbra.

W - Onde se vêm daqui a 5 anos? Grandes expectativas?
TSL - As expectativas têm o tamanho das vendas dos nossos discos e dos nossos espectáculos. Não são muito grandes, nem demasiado pequenas. Estão sentadas como nós. A nossa música, apesar de ser feita com a maior seriedade, veracidade e dedicação possíveis, não é a nossa profissão nem o nosso ganha-pão. É o nosso passatempo preferido, aquele em gastamos mais tempo. Se tivermos a oportunidade de crescer, vamos agarrá-la, desde que não seja preciso correr. Já não temos idade para isso. Daqui a 5 anos não fazemos ideia de onde estaremos, mas certamente continuaremos sentados e de chapéu.

W - Alguma mensagem que queiram aproveitar para deixar aos nossos leitores, aos vossos seguidores, ou às promotoras nacionais, etc?
TSL - Uma mensagem muito pouco subliminar: Ouçam o nosso CD. Vão ver os nosso concertos e levem chapéus. As cadeiras já lá deverão estar. E procurem-nos na net, nos canais sociais habituais: Facebook, Myspace, Blogs, Youtube. etc. e ainda em www.soakedlamb.com


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Entrevista #16- com Juliana Pontual


Juliana Pontual

Pernambuco - Brasil
julianapontual.carbonmade.com
jupontualilustra.carbonmade.com


Juliana Pontual é uma designer e ilustradora que

espalha a sua arte pelo Brasil. Conheça um pouco sobre
a sua vida e projectos artísticos.


Whisper - Como surgiu o interesse pelo desenho e ilustração?
Juliana Pontual -
Acho que surgiu quando eu era pequena. Realmente preferia quando os livrinhos eram ilustrados, tanto que, dependendo dos desenhos e do que eles evocavam, eu tinha vontade de lê-los ou não. Nessa época pintava retratos imaginários e quadros pra vender pras minhas tias (só elas iriam comprar mesmo!!), mas depois de um tempo parei de desenhar e só voltei bem mais tarde, já no final da adolescência.

W - Como conseguiu entrar no mundo profissional de ilustração?
JP - Foi meio sem querer, trabalhava como diretora de arte em agências de propaganda e muitas vezes a ilustração é um recurso para clientes com pouca verba para produção. É estranha essa pergunta porque ainda não me sinto totalmente inserida nesse mundo de ilustração profissional. Meu ganha-pão vem muito mais do trabalho como diretora de arte e designer do que como ilustradora. A ilustração ainda é como um "plus", quando faço encartes de álbuns, editoriais, etc.

W - Quais foram os principais obstáculo e metas atingidas?
JP - Como foi tudo meio sem querer, não posso dizer que houveram muitos obstáculos. E sobre as metas, eu ainda tenho muito o que atingir, mas diria que a maior seria conseguir viver somente de ilustração.

W - Quem são as suas principais influências nesta área?
JP - Gosto muito de quadrinhos underground em geral, tantos dos anos 60/70 (quando o género meio que surgiu) quanto os atuais. Também gosto muito de traços meio lúdicos, meio “estranhos”, como o de Tim Burton, Jim Flora, Yoshitomo Nara, etc.

W - A ilustração é uma arte que exige uma enorme capacidade criativa. O que mais a inspira?
JP - Acho que música e meus gatos.

W - Qual foi o seu maior projecto até hoje?
JP - Nunca tive grandes projetos, mas os maiores talvez tenham sido os álbuns de 2 grandes artistas e amigas minhas, a Lulina e a Stela Campos, pois ambos envolveram a criação de universos com personagens ilustrados para cada música.

W - As junções da ilustração com o design que podemos ver em alguns dos seus projectos são feitas por gosto ou por trabalho?
JP - Por ambos.

W - É capaz de nos descrever o todo o processo que uma ilustração sua envolve?
JP - Bom, nem sempre existe um processo lógico. Às vezes a ideia vem antes, às vezes é o traço que puxa a forma e com isso a ideia. Depende muito do tipo do trabalho.

W - Existem projectos para o futuro que queira partilhar connosco?
JP - Apesar de ser uma ideia em processo completamente embrionário, pretendo um dia tentar trabalhar com animação.

W - Para finalizar, alguma mensagem que queiras deixar aos leitores, ilustradores, revistas…?
JP - O mais importante é se divertir. Até o estresse vale a pena quando por trás tem diversão.

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Entrevista #15 - com Miguel Silva


Miguel Silva

Whisper - Como surgiu o interesse pela fotografia?
Miguel Silva - Um amigo numa viagem é ex Jugoslávia comprou uma Pratika. Lembro-me de disparar algumas fotos com ela, sem perceber muito bem como ela funcionava realmente, e o que significavam aqueles números que estavam inscritos na objectiva. Anos mais tarde comprei uma câmara semelhante e comecei a fotografar aquilo que mais me fascinava: concertos e música.

W - Como foi o inicio da experiência como fotografo e o processo de aprendizagem?
MS - Muitos dos princípios básicos de fotografia descobri-os através da Internet e também nos workshops em que ia participando. Obviamente que a prática foi muito importante, e há sempre pequenos truques que vamos aprendendo, muitas vezes á custa de erros e muitos rolos disparados.

W - Quais foram os principais obstáculo e metas atingidas?
MS - Para quem gosta de fotografar música ao vivo o principal obstáculo é a autorização para poder recolher fotografias nos concertos, e esse foi o meu maior problema no início. Mas tive a sorte de poder começar a fazer alguns espectáculos no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, oportunidade essa, dada pelo fotografo Nuno Patinho, que realizou alguns workshops em que participei. Alguns anos mais tarde, com um grupo de amigos, iniciámos um fórum na internet sobre eventos relacionados com música mais alternativa, o The Black Planet, e a partir desse momento consegui acesso a alguns dos espectáculos que mais gostava.

W - Quando paras de fotografar durante longo período de tempo sentes falta de pegar na máquina e disparar?
MS - Eu trago quase sempre com uma câmara comigo, por isso sempre que posso e que vejo algo de inte ressante não perco a oportunidade e fotografo.

W - Quais são as tuas principais influências nesta área?
MS - Não te sei dizer se sou influenciado directamente por este ou aquele fotógrafo, mas obviamente que não fico indiferente ao trabalho de pessoas como Anton Corbijn, Gered Mankowitz, Todd Owyang, ou a portuguesa Rita Carmo, entre muitos outros.

W - Consideras o tratamento de imagem essencial ou dispensável?
MS - O tratamento de imagem com o recurso a ferramentas digitais, como o Photoshop por exemplo, e que actualmente usamos, permite fazer muito daquilo que antigamente era feito na câmara escura, e que geralmente era um processo bastante demorado. Estes processos permitem-me evidenciar certos pormenores, e assim transmitir aquilo que mais acho importante. Deste ponto de vista acho o tratamento de imagem essencial.

W - Com o surgimento da era digital, a fotografia passou a implicar custou muito menores. Na tua opinião, quais são as principais consequências que isto tem na fotografia e no seu meio?
MS - Acho que facilitou o acesso da fotografia a um maior número de pessoas. Todo o processo fotográfico ficou mais fácil, e deixámos de necessitar de laboratórios e de vários outros equipamentos, e pudemos efectuar muitos dos processos com um simples computador pessoal.

W - Sei que já tiveste a oportunidade de fotografar alguns festivais fora de terras lusas. Existe diferenças entre as promotoras nacionais e estrangeiras? Qual o relacionamento com os repórteres?
MS - O que tenho visto em outros países é uma maior disponibilidade, por parte das promotoras , em permitir o acesso aos espectáculos a meios de informação e divulgação mais pequenos, nomeadamente blogs, fóruns e outros sítios semelhantes na net. Mas acho que essa realidade está a mudar cá em Portugal, e já é mais fácil conseguir permissão para podermos fotografar muitos dos espectáculos.

W - Existem projectos para o futuro?
MS - Há sempre projectos interessantes que me vão aparecendo e que me motivam bastante. Não sendo a fotografia a minha principal actividade, tenho tido a sorte de ir cola borando e participando em projectos em diferentes áreas da fotografia.

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Entrevista #14 - com Bunnyranch


Bunnyranch



Os Bunnyranch são uma banda de Coimbra já bem conhecida
de todos nós. Tivemos a oportunidade de colocar algumas
questões aos seus membros e assim ficar a conheça melhor o
seu percurso e os projectos futuros.


Whisper - Contem-nos um pouco sobre a história da banda.
Bunnyranch - Os Bunnyranch aparecem em 2001 como um grupo de quatro pessoas que queriam principalmente tocar rock’n’roll. Em 2002 gravamos um EP com o intuito de nos por a tocar e abrir portas para algo mais. E assim foi, desde então gravámos três discos, mais para sair em 2010 e tocámos por várias salas e festivais pela Europa e também nos EU onde conhecemos bandas e pessoas que nos ajudaram a crescer como banda. Muito resumidamente isto é um pouco da história da banda.

W - Foi complicado obterem apoios no início da carreira?
B - É sempre complicado arranjar apoios, quer no início como agora, e nós nunca tivemos apoios nem de câmaras nem de qualquer instituição do género. O que fomos conseguindo no início foi fruto do nosso trabalho… e da ajuda de alguns amigos que trabalharam connosco em condições miseráveis (risos meus que estou sozinho). Agora vamos tendo mais apoios mas somente promocionais, de algumas rádios (antena3, RuC, etc.), alguns canais privados (SIC radical, etc.) e alguma impressa escrita dentro da área.

W - Vocês tiveram a oportunidade de participar no documentário “Rockumentário”, realizado por Sandra Castiço. Como foi essa experiência?
B - Basicamente nós fomos somente “material de estudo” para o documentário. Isto porque só fomos escolhidos para entrar num documentário sobre uma banda de rock, não tivemos influência nenhuma na montagem ou realização dele. Claro que ficámos muito contentes com a proposta, mas nós fizemos a nossa vida normal de banda e eles foram nos acompanhando, filmando e entrevistando. Foi divertido.

W - O que mudou com a entrada do Augusto Cardoso e do João Cardoso?
B - Quando qualquer elemento de uma banda muda a banda muda também. O que aconteceu com a entrada de qualquer um dos Cardoso(s) foi isso mesmo. Uma forma de tocar as músicas antigas e de criar as novas conforme as suas ideias pessoais, logo nova e diferente. De qualquer das maneiras nunca deixámos de ser os Bunnyranch.

W - Como foi trabalhar com Ivan Julian (guitarrista Richard Hell & the Voidoids e The Clash) na primeira parte do disco “Teach us Lord… How to Wait”, nos HED Studios em Nova York?
B - Logicamente foi uma experiência insubstituível. Ter um ícone da história do rock’n’roll, e que ainda por cima foi incansável, a trabalhar e a responder a um “interrogatório” de quatro dias sobre as vivências dele como músico (e não só) na altura, é no mínimo gratificante para uma banda como nós, que ouvimos todas estas histórias (e gravámos também… claro) quase 20 horas por dia, nestes 4 dias e qualquer coisa. No fim alguém o alcunhou de “Iron” Julian tamanha foi a resistência do senhor. Cinco estrelas.

W - Falem-nos um pouco sobre o vosso último trabalho intitulado “How to Wait”.
B - É a última parte do disco que começou nos HED studios (teach us lord…) e que foi gravado, nas Taipas Serra de Monchique, no sierra vista studio com um outro ícone do rock’n’roll. Boz Boorer guitarrista de bandas como os polecats que já tocou e produziu artistas como o Adam Ant e que é o actual director musical do Morrisey, para além de ter estudado e trabalhado em engenharia de som durante anos e anos (nem faço ideia de quantos). É a parte inglesa do disco se assim o quisermos dividir, mas tal como na primeira parte foi quase uma semana de trabalho, farra e histórias muito, muito intensa. Cinco estrelas outra vez.

W - Sabemos que já tiveram a oportunidade de tocar em Espanha, Inglaterra, França, Holanda e Estados Unidos. Em qual destes países foram melhor acolhidos?
B - Se tivermos a falar em afluência aos concertos é natural que seja maior em Espanha porque já lá tocamos mais vezes. Mas acho que a reacção do público foi muito positiva em todos estes países, excepto raros concertos mas isso acontece em Portugal também.

W - Têm projectos para o futuro que queiram partilhar connosco?
B - Acabámos de gravar um novo disco, que foi também gravado com o Boz Boorer no sierra vista studio e que irá sair em Fevereiro de 2010. Ainda estamos a trabalhar na promoção por isso não podemos adiantar datas. E editámos este ano o “Teach us Lord… How to Wait” nos EU pela Brutarian records. Projectos para o futuro, como costumamos dizer, tocar o mais possível no maior número de sítios possível.

W - Alguma mensagem que queiram aproveitar para deixar aos nossos leitores, aos vossos seguidores, ou às promotoras nacionais, etc?
B - Aos vossos leitores continuem a ler e a ouvir música. Aos nossos seguidores (se tivermos) continuem a vir e tragam amigos e amigas. Ás promotoras… continuem o bom trabalho.


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Entrevista #13 - com DJ a boy named Sue


DJ a boy named Sue



O som de Dj A boy named Sue caracteriza-se por uma forte vertente
rock’n’roll, onde podemos encntrar sonoridades como
soul, garage, blues, entre muitas. Conheça melhor este Dj de Coimbra, que
tem percorrido Portugal de norte a sul.


Whisper - Como surgiu o teu interesse por uma carreira como DJ?
DJ a boy named Sue - Acho que a coisa aconteceu principalmente por uma razão, não estava satisfeito com os djs, e com a oferta nocturna de Coimbra, e quis oferecer às pessoas algo diferente daquilo a que estavam habituados. Em 2001 comecei a organizar e produzir festas temáticas em Coimbra e depois aconteceu tudo muito naturalmente, tive uma boa resposta e fui sendo convidado para diferentes bares e festas, fui tendo residências em Coimbra e mais recentemente, comecei a ir passar música a todo o país.

W - Quais são as tuas principais influências musicais?
DJ - Como eu costumo dizer, para resumir, sou um moço do rock’n’roll. Mas quando se começa a conhecer muita música descobre-se que isto dos estilos e dos géneros não é tão simples assim. Eu comecei a ouvir punk rock quando era adolescente, mas depois fui tentar perceber de onde é que as coisas vinham, fui escavando para trás no tempo até chegar ao blues ou ao tango e rapidamente percebi que todos os estilos estão interligados e que se pode saltar muito facilmente de género e de década sem as pessoas se aperceberem. E é claro que tento manter uma ligação com as novas tendências da música, tanto dentro do rock, como estou atento a outros géneros como o electro ou o hip hop. Alguns dos meus melhores amigos são nomes reconhecidos de cenas musicais completamente diferentes, como o Techno, ou o Drum’n’Bass.

W - Sabemos que grande parte da música que passas nos teus sets é em vinil, porquê essa escolha?
DJ - Acho que sou um dj ‘old school’. E sou um amante de música, gosto dos discos também como objectos e as edições são muito mais bonitas em vinil. Mas não se trata só de uma questão estética, é também por uma questão de qualidade, em primeiro os discos de vinil têm uma amplitude maior de frequências no espectro sonoro do que os cds (daí também o nome dos cds, compact discs, o som está ‘compactado’). Por outro, por uma questão de longevidade, tenho discos de vinil com mais de 50 anos que tocam com um som perfeito, já os cds riscam-se muito facilmente.

W - Na tua opinião achas que dá para fazer vida e carreira como DJ em Portugal?
DJ - Fazer carreira é uma coisa, fazer vida é outra e é muito difícil. Ainda mais como dj de rock’n’roll. Eu posso ser conhecido um pouco por todo o país, e há semanas em que ponho música 5 noites em sítios diferentes, mas a minha actividade como dj não é a minha principal profissão. Acredito que certas pessoas na música de dança façam vida de dj. Mas acho que os djs de rock ainda não são levados muito a sério, exemplo disso é que raramente vês um dj de rock numa after party ou num palco de um festival ou um grande evento, ainda que as bandas sejam rock.

W - Quando vais comprar teus discos já levas em mente aquilo que pretendes comprar ou estás aberto ao que desconheces?
DJ - Estou sempre aberto a coisas que não conheço, compro muitos discos por curiosidade, apenas pela capa ou por reconhecer o nome de uma música ou de um produtor ou pela data ou pela editora. Compro muitos discos por acaso, em feiras de velharias, em bombas de gasolina... Outras vezes apenas porque um amigo ou alguém numa noite de dj mo aconselha.
Obviamente também encomendo muitas coisas que quero muito ter, tanto antigas como modernas. Leio regularmente revistas como a Mojo, a Uncut ou a Rock & Folk para me me ir mantendo a par das novidades no mundo musical.


W - Existe publico em Portugal para o estilo de musica que passas?
DJ - Sim. Eu vivo e cresci numa cidade (Coimbra) onde sempre existiu uma tradição muito forte de rock, que tem atravessado várias gerações. Mas posso dizer que nos últimos anos tenho verificado que todas as cidades têm pelo menos um bar de rock e um bom grupo de pessoas que gosta de rock. Tenho passado por cidades como Leiria, Évora, Aveiro, Guimarães, Guarda, Caldas da Rainha, e muitas mais e em todas elas tive uma resposta muito boa por parte das pessoas. Outra coisa que me surpreende é que vejo cada vez mais pessoas diferentes e muito novas a dançar rock’n’roll, pessoas sem preconceitos e interessadas em conhecer coisas novas e diferentes. Agora tenho uma residência em Coimbra às segundas feiras que está sempre cheia até às 6h30...

W - Já tiveste a oportunidade de trabalhar como dj no estrangeiro? Onde gostaria de vir a passar música um dia?
DJ - As únicas oportunidades que tive para passar música no estrangeiro foi em after partys de concertos do Tiger Man, com quem trabalho, uma ou duas vezes em Paris e outra em Estrasburgo e acabei por pôr música com os discos do bar. Há sítios que se me dispusesse a investir conseguia facilmente passar música, como Paris, Londres, Madrid ou Barcelona, mas seria sempre um investimento bastante dispendioso para mim.
Para já, gostava de passar música num festival em Portugal. Mas não tenho assim uma meta ou um ‘sonho’, a não ser levar a minha música e o meu modo de passar música ao maior número de pessoas possível. Deixo as coisas correrem naturalmente, e espero continuar a crescer, ser reconhecido e que com isso surjam propostas e oportunidades cada vez mais aliciantes.


W - Como não poderíamos deixar de perguntar, porquê a escolha da música “A Boy Named Sue” de Johnny Cash para o teu nome como DJ?
DJ - Isso é uma história interessante com mais sumo do que se espera. Aos 14 anos, quando jogava andebol na académica fui ‘baptizado’ com a alcunha de Somália pelos jogadores mais velhos, devido à minha magra condição física (riso). Alcunha que acabou por me seguir, mesmo que não gostasse dela, até que a aceitei e até usei o nome de Dj de Dr. Somalicks durante os primeiros anos. Ora a letra da música do Johnny Cash fala de um rapaz que foi baptizado de Sue e depois abandonado pelo pai, fala do quão difícil foi a vida para um rapaz chamado Sue e termina com o pai a dizer-lhe ‘tens todas as razões do mundo para me odiar mas eu dei-te esse nome porque não podia estar ao teu lado para te educar e foi esse nome que fez de ti um homem rijo capaz de enfrentar as adversidades’ (no fim abraçam-se e vão beber um copo). Além de gostar muito da música e do Johnny Cash, estabeleci uma analogia entre o ‘life ain’t easy for a boy named Sue’ e o ‘a vida não foi fácil para um rapaz chamado Somália (ainda que a minha história não seja tão trágica). O nome Sue acabou por funcionar também como um diminutivo de Somália e hoje muita gente me trata por Sue.

W - Algo que queiras acrescentar à entrevista?
DJ - Além da actividade como dj em festas / eventos, sou ainda responsável por 2 programas de autor na Rádio Universidade de Coimbra: o ‘Cocktail Mariachi’, dedicado ao lounge e easy listening e o ‘Sé Velha Uber Alles’, dedicado ao punk rock, tendo já estado ligado a programas de rock e de blues.

TOP 10 – As músicas que mais passas.
DJ - Como imaginam é muito difícil para mim resumir-me em 10 músicas, tendo em conta que os meus gostos e os meus sets (por vezes de mais de 5h) passam por música exótica, rockabilly, rhythm & blues, soul, garage, punk rock, new wave, death rock, ou electro rock. Eu nunca fiz uma maquete ou um set tipo para ninguém, porque é impossível à partida prever o que vou passar. Não tenho uma playlist, e cada noite depende sempre de de como é que as pessoas reagem aos diferentes estilos, tento sempre ‘ler’ as pessoas na pista para perceber que direcção tomar. Por isso devo ser o dj que mais quantidade de discos leva para qualquer sítio. Se me permitirem deixo-vos uma escolha de 15 músicas e não 10, sendo que há noites em que posso passar só uma ou duas desta lista. Nunca faço 2 sessões iguais e tento sempre surpreender as pessoas sem perder uma certa identidade e coerência.

The Trashmen – King of the Surfers
Nini Rosso – Il Volo del Calabore
Gloria Jones – Tainted Love
Mitch Ryder & The Detroit Wheels – Sock it to me
The Sonics – Psycho
Southern Culture On The Skids – Camel Walk
The Cramps – What’s Inside a Girl
Messer Chups – Auf Wiedersehen Show
B52’s – Planet Claire
Alan Vega – Jukebox Babe
Peaches / Joan Jett – I don’t give a F.../ Bad Reputation
Plastic Bertrand – Ça Plane pour moi
The Horrors – Count in Fives
Wall of Voodoo – Ring of Fire
Screamin’ Jay Hawkins – I Put a Spell on You

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